Cuidando das crianças em crise: Crianças e Depressão

Cuidando das crianças em crise: Crianças e Depressão
Eliette Vrenelli García, Carolina, Puerto Rico

A depressão é uma doença médica comum e grave. Ela é real, acontece e é tratável. A sociedade colocou um estigma na doença mental e, como o sal e a luz do mundo, devemos pôr um fim a esse estigma. É normal que as crianças se sintam tristes, irritadas, e tenham mudanças de humor, mas quando esses sentimentos negativos persistem é possível que a criança esteja sofrendo de depressão.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, sigla em inglês) apresenta o seguinte critério para fazer um diagnóstico de depressão:

O indivíduo deve experimentar 5 ou mais sintomas durante o mesmo período de 2 semanas: sentir-se triste ou irritável, perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades, diminuição de peso, insônia ou hipersonia, agitação psicomotora, fadiga ou perda de energia, capacidade diminuída para pensar, concentrar-se ou indecisão, pensamentos recorrentes de morte e/ou ideação suicida, e sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva e inapropriada.(1)

Ocasionalmente, esta condição não é diagnosticada e não é tratada porque os sintomas são considerados como mudanças emocionais normais. Entretanto, como observado nos critérios para o diagnóstico, não apenas precisamos que os sintomas estejam presentes, mas que 5 ou mais estejam presentes durante o mesmo período. Em alguns casos, a criança pode apresentar alguns dos sintomas, mas não todos juntos ou durante o período de 2 semanas. É por isso que pode ser confuso reconhecer quando se necessita de ajuda.

Durante nossa recente pandemia, a porcentagem de crianças diagnosticadas com depressão tem crescido. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) descobriu que, de abril a outubro de 2020, hospitais em todos os Estados Unidos registraram um aumento de 24% na proporção de visitas a emergências de saúde mental de crianças de 5 a 11 anos e um aumento de 31% para crianças de 12 a 17 anos.(2) Isto não é um problema apenas nos Estados Unidos. Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde em mais de 130 países constatou que mais de 60% relataram interrupções nos serviços de saúde mental para atender pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças e adolescentes. Para as crianças, o fechamento de escolas tem interrompido suas rotinas e muitas delas estão arcando com novas responsabilidades com as quais não estão equipadas para lidar. Como adultos, podemos diminuir seus problemas e ajudá-los.

Se você acha que seu filho ou uma criança de sua igreja pode estar deprimido ou ter problemas com seu estado de ânimo (humor), há algumas coisas que você pode fazer:

  • Falar de depressão. As crianças podem não saber como se sentem, mas falem com elas de qualquer maneira. Ouça seus desafios e ofereça ajuda.
  • Agende uma visita com o médico de seu filho. Eles farão um exame completo, uma avaliação e o indicarão a um especialista, se necessário.
  • Certifique-se de que a criança está comendo alimentos nutritivos, dormindo o suficiente e fazendo atividade física diária (de preferência do lado de fora).
  • O mais importante, seja paciente e amável. Tente ser compreensivo e cultivar uma relação positiva com eles.

Conversas com Crianças sobre Depressão
Por Dr. Shaun McKinley

Ao falar com uma criança que esteja sofrendo de depressão em seu ministério ou em casa, é importante estar atento às palavras que você usa ao falar, orar ou instruí-la.

Nunca diga:

  • “Com a ajuda de Deus você não precisa de seu remédio”, ou “Você precisa acertar com Deus”. Às vezes confundimos a depressão com um problema espiritual e não com uma condição médica. Embora o pecado não confessado, a culpa e a vergonha possam nos causar depressão, nunca queremos que uma criança acredite que seus sentimentos resultam de um relacionamento rompido com Deus.
  • “Podemos manter isto em segredo”. Apesar de uma criança desejar manter a confidência com você a respeito de seus pensamentos, às vezes é necessário envolver outros, especialmente se a depressão leva ao pensamento suicida, à automutilação ou à destruição potencial. Nunca deixe uma criança sozinha em seu sofrimento. Se outros tiverem que ser envolvidos, certifique-se de que a criança saiba que você está apenas tentando atender a seus melhores interesses.
  • “Basta parar de pensar em pensamentos negativos”. Para algumas pessoas, não é possível pensar automaticamente em pensamentos positivos. Infelizmente, a preocupação, a ansiedade e o medo são emoções com as quais as crianças lutam e que podem ser difíceis de superar. Tente ajudar a criança a desenvolver estratégias, ore com elas e compartilhe a verdade da Palavra de Deus.

O que dizer:

  • “Às vezes eu fico triste. Jesus também ficou triste”. As crianças precisam saber que suas emoções e dificuldades são normais para todos. Ao testemunhar as lutas emocionais que você teve, você pode compartilhar soluções que funcionaram para você. Mateus 26:36-38 nos diz que Jesus também ficou triste uma vez!
  • “Como você pode tornar esta situação melhor?” Não ignore os comentários negativos. Peça à criança para pensar em maneiras positivas de processar suas emoções ou mudar suas situações negativas.
  • “Deus te ama e eu também”. Quando estamos deprimidos, às vezes esquecemos que as pessoas realmente se preocupam conosco. O mesmo é verdade para as crianças. Elas precisam saber que as amamos e que seu Pai Celestial está presente em sua situação.

Ajuda bíblica

Salmo 42:5
Romanos 8:37-39
Hebreus 12:12-13
Salmo 146
2 Coríntios 1:8-11
1 João 4:18a
Isaías 40:31
Filipenses 4:6
Lamentações 3:19-26
Filipenses 4:8

Referências

  1. American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.).
  2. Leeb RT, Bitsko RH, Radhakrishnan L, Martinez P, Njai R, Holland KM. Mental Health–Related Emergency Department Visits Among Children Aged <18 Years During the COVID-19 Pandemic — United States, January 1–October 17, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020 http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6945a3